cadência.
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como explicar a angústia de ser livre para uma mosca na janela?

todxs nos abrigos e eu, em campo aberto, aguardando o bombardeio de 150 kilotons de paz.

(Source: vhsgifs)

chá da tarde com harmony korine e miron zownir. tema da conversa: eu.

as marcas na superfície da pele do braço ão de migrar para as veias, sendo confortadas pelo calor daquilo que me faz estar vivx.

sou daquelxs que, junto com as cartas na gaveta, guarda a certeza de que o destinatário leu.

num delírio poético, alvaro de campos dizia estar feliz pelo cansaço ser apenas o sono do corpo, a ânsia em não pensar na alma e uma transparência lúcida da retrospecção. infelizmente, suspeito existir mais nada nesse algo.

meu passado é um admirador secreto de espreita na esquina. conhece detalhadamente minhas rotas de busca e fuga. receia se apresentar temendo a rejeição. vai para casa, chora minha ausência e, na manhã seguinte, sobrevive na crença de que uma dia baterei em sua porta, cabisbaixo. mas, o que seria desta trama se para ele eu revelasse minha discreta atração pelo pretérito ou que também estive em seu encalço?

e entre as súplicas de eutanásia, a convicção de que as dores também podem amenizar a morte.